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- Investigação "A bomba-relógio da abstenção" vence Prémio de Ciberjornalismo 2024
O projeto "A Bomba Relógio da Abstenção" , desenvolvido pela DIVERGENTE em parceria com a Rede Europeia de Jornalismo de Dados (EDJNet) e o DINÂMIA’CET-Iscte, foi distinguido como o melhor trabalho na categoria Infografia Digital nos Prémios de Ciberjornalismo 2024 . A cerimónia de entrega aconteceu durante o VIII Congresso Internacional de Ciberjornalismo, realizado entre os dias 20 e 21 de novembro, no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. A colaboração do DINÂMIA'CET-Iscte neste projeto é protagonizada pelos investigadores Margarida Perestrelo e Sebastião Ferreira de Almeida que contribuiram no suporte metodológico e análise de dados aplicados ao território Europeu, bem como do investigador Ricardo Venâncio Lopes ao nível da reportagem. Esta premiação reconhece o mérito de uma investigação que cruza jornalismo de dados e ciência para responder a questões cruciais: quais os fatores que levam à abstenção eleitoral? Quais as características dos territórios com maior desinteresse pelo voto? E como reaproximar os cidadãos dos processos democráticos? Para Sebastião Ferreira de Almeida, este reconhecimento é "uma validação do impacto que a colaboração interdisciplinar pode ter na compreensão de fenómenos complexos". Um retrato profundo da abstenção na Europa O projeto, que envolveu a análise de dados de 27 países europeus ao longo de 50 anos, mapeou o comportamento eleitoral de mais de 350 milhões de eleitores em 85 mil freguesias . A investigação identificou padrões e tendências, cruzando dados eleitorais com variáveis demográficas e socioeconómicas. Em Portugal, as reportagens conduzidas pela DIVERGENTE em dez freguesias com os níveis mais elevados de abstenção trouxeram à superfície as histórias e desafios enfrentados pelas comunidades locais, permitindo uma compreensão do fenómeno para além da esfera da estatística. Sebastião Ferreira de Almeida salienta ainda "o potencial do trabalho em rede para ampliar a disseminação do conhecimento e promover uma sociedade mais inclusiva." Este prémio sublinha o papel crucial do jornalismo de dados na construção de narrativas que vão além dos números, aproximando os cidadãos das realidades políticas e sociais que moldam as suas vidas. "A bomba-relógio da abstenção deixa uma marca importante no debate sobre a democracia europeia, abrindo caminho para novas reflexões e soluções futuras
- Housing as commons: sites of struggle and possibility - Novo número da Revista CIDADES, Comunidades e Territórios já disponível
A revista CIDADES, Comunidades e Territórios acaba de lançar o número especial de outono de 2024, com o tema “Housing as commons: sites of struggle and possibility”, organizado por Joana Pestana Lages e Saila-Maria Saaristo. Maria Assunção Gato Editor Ana Rita Cruz Deputy Editor Mariana Leite Braga Editorial Assistant & Copy Editor Consultar aqui No editorial as organizadoras deste número analisam como o capitalismo neoliberal tem agravado desigualdades por meio da financeirização da habitação e da privatização de bens públicos. Esses processos tornam a moradia mais precária e impulsionam a expulsão de populações vulneráveis dos centros urbanos. A autora critica políticas que priorizam a valorização do espaço urbano como mercadoria, em detrimento de cidades acessíveis e inclusivas, defendendo uma visão alinhada à Nova Agenda Urbana de 2017.
- Everything is fiction com Ricardo Aboim Inglez
Everything is fiction RICARDO ABOIM INGLEZ 02 de Dezembro | 13:00 Iscte - Auditório C1.04 A conferência é aberta ao público em geral, e a entrada é livre. Sinópse A arquitetura é uma ficção criada por indivíduos, arquitetos ou não, que se traduz numa representação bidimensional e tridimensional de uma realidade desejada, a qual será eventualmente mais tarde edificada através de um conjunto de outros indivíduos que traduzem os desejos dos primeiros em construções reais. Se por um lado a construção sintetiza o pensamento por detrás dos desejos, a mesma não materializa os seus códigos [in]disciplinares ocultos, pelo que uma obra de arquitetura é a construção em contínuo de uma ficção. A Lisson Gallery do arquiteto britânico Tony Fretton é um exemplo desta complexa ficção. RICARDO ABOIM INGLEZ Licenciatura em Arquitetura pela Universidade Lusíada de Lisboa em 1998. Funda em 2010 com a sua mulher Maria Ana a Aboim Inglez Arquitectos.
- Exposição de Hestnes Ferreira no MAC/CCB
Vai estar patente até 15 de Abril de 2025 uma exposição dedicada à vida e obra do arquiteto Hestnes Ferreira: Forma | Matéria | Luz. Complementar à exposição, serão organizadas visitas guiadas que irão percorrer a pegada arquitectónica do arquiteto. A exposição Hestnes Ferreira – Forma | Matéria | Luz , comissariada por Alexandra Saraiva com Patrícia Bento d’Almeida e Paulo Tormenta Pinto, apresenta uma leitura sobre a obra do arquiteto Raúl Hestnes Ferreira (1931–2018). A sua obra emerge na intersecção entre a arquitetura mediterrânea e a estética escandinava, influenciada por nomes como Aalto, Asplund e Lewerenz. No entanto, foi a experiência ao lado de Louis Kahn, em Filadélfia, que mais marcou a sua formação, ampliando o seu conhecimento e a busca pela essência da arquitetura. As obras selecionadas sublinham a relevância do universo profissional de Hestnes Ferreira, desenvolvido ao longo de mais de 60 anos. Com base na memória de todo o seu percurso singular e transcultural, contemplando a sua vasta obra, selecionaram- -se treze projetos que revelam os três conceitos-chave da exposição. Num primeiro momento, enquadra-se o percurso académico que determinou a sua prática profissional. Evidencia-se o espírito militante e inconformado perante um regime rígido e autoritário, desde as Escolas de Belas Artes de Lisboa e do Porto ao Instituto Finlandês de Tecnologia de Helsínquia, passando pela Universidade de Yale e, por último, pela Universidade da Pensilvânia, onde obteve o diploma de mestre em Arquitetura. A forma, para Hestnes Ferreira, revela uma forte proximidade com a geometria, sendo esta a expressão imediata da ordem. O seu processo conceptual, com recurso a formas ordenadas e regulares que se interrelacionam e se complementam, é obsessivo. As geometrias puras do quadrado e do círculo são o início do processo de criação. Na análise do projeto arquitetónico evidenciam-se cada um dos seus elementos e as consequentes relações de ordem — simetria, proporção, posição, ritmo e harmonia. Se o interesse pela materialidade construtiva teve início na sua passagem pelo Porto, a experiência em Filadélfia, com Louis Kahn, fortaleceu a sua habilidade de integrar materiais e sistemas construtivos no desenvolvimento de cada projeto, explorando até à exaustão as possibilidades formais e expressivas de cada elemento. Ao expor o sistema construtivo de forma visível, eliminando qualquer componente que possa comprometer a sua compreensão, as suas obras tornam-se mais claras para quem as observa e as usufrui. Na arquitetura de Raúl Hestnes Ferreira, o contraste entre a luz e a sombra potencia a criação de espaços homogéneos e enriquecidos pelo silêncio. Os conceitos-chave refletem-se na simplicidade e neutralidade de ambientes definidos pela ausência de ornamentação e pela clareza das formas. Consulte o folheto completo For the english version available here Visitas Guiadas Revisitar a obra de Hestnes Ferreira - Inscrições aqui No âmbito da exposição Hestnes Ferreira — Forma | Matéria | Luz , propõe-se um ciclo de visitas guiadas à exposição e a obras representativas da autoria deste arquiteto. Estas visitas, orientadas por arquitetos, proporcionam a oportunidade de aprofundar e expandir perspetivas sobre aobra de Hestnes Ferreira, promovendo diferentes vivências em cada edifício e prestando particular atenção à sua forma, matéria e luz. 19 out (sáb), 16h / 19 Oct (Sat), 4 pm Visita à exposição Orientação de Alexandra Saraiva, arquiteta, investigadora e curadora da exposição / MAC/CCB 24 nov (dom), 15h / 24 Nov (Sun), 3 pm Visita ao Bairro Fonsecas e Calçada Orientação de Michel Toussaint, arquiteto e investigador do Centro de Investigação em Arquitetura Urbanismo e Design Bairro Fonsecas e Calçada, Lisboa Integrado na programação dos 50 anos do 25 de Abril 11 jan (sáb), 15h / 11 Jan (Sat), 3 pm Visita à Biblioteca de Marvila Orientação de Paulo Tormenta Pinto, arquiteto, diretor do Dinâmia’CET-ISCTE e curador da exposição 22 fev (sáb), 15h / 22 Feb (Sat), 3 pm Visita ao campus ISCTE Orientação de arquiteto e vice-reitor do ISCTE Avenida das Forças Armadas, Lisboa / Lisbon 15 mar (sáb), 15h / 15 Mar (Sat), 3 pm Visita à casa de Albarraque Orientação de Luís Urbano, arquiteto e investigador
- Conferência com Lisa Dorigatti
No próximo dia 28 de novembro de 2024 entre as 14:30 e as 16:30 vai ter lugar no Iscte, na sala AA225 do Ed.3 no piso 5 uma conferência com Lisa Dorigatti, da Universidade de Milão, com o título The role of industrial relations in the just transition: assessing effects, mechanisms and preconditions. Esta conferência é uma organização conjunta do mestrado em Trabalho, Emprego e Sociedade, Mestrado em Political Economy e Mestrado em Políticas de Desenvolvimento dos Recursos Humanos. A entrada é livre. Lisa Dorigatti é Professora Associada no Departamento de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Milão. Especialista em sociologia econômica e do trabalho, ela concentra suas pesquisas nas relações industriais, regulação do mercado de trabalho, e nas transformações do trabalho causadas pela digitalização e globalização. Além disso, é autora de publicações acadêmicas sobre desigualdades laborais, condições de trabalho e cadeias globais de valor. Dorigatti tem participado ativamente em projetos sobre a transição digital no mundo do trabalho e no estudo de organizações e relações industriais em contextos comparativos. É coautora do livro Il lavoro e le catene globali del valore e colabora regularmente com revistas acadêmicas internacionais de referência no campo das ciências sociais O seu trabalho combina análise teórica e empírica, destacando-se em debates sobre regulação e inovação tecnológica nas relações de trabalho.
- Evento final do projeto transHERITAGE
PROJEÇÃO é o evento final do projeto transHERITAGE financiado pelo EEA Grants Portugal e coordenado pelo DINÂMIA'CET-Iscte, Iscte - Instituto Universitário de Lisboa, e pela @Universitetet i Bergen. No dia 23 de novembro de 2024, o projeto convida todos a participar num dia especial de partilha e reflexão sobre o património cultural e religioso! Praça Bernardim Ribeiro 20, Freguesia Torrão Das 10h00 às 20h00 Este evento incluirá palestras, conversas, um almoço comunitário, uma caminhada pelos locais de património religioso, a apresentação de um livro e a inauguração de uma exposição única. É uma oportunidade para explorar o património local e conhecer perspetivas locais e internacionais sobre preservação cultural. A entrada é livre! Não percam a oportunidade de participar neste dia de celebração e valorização do nosso património cultural. Esperamos por todos no Torrão! Marquem já no calendário e juntem-se a nós para um dia de partilha, cultura e comunidade.
- Ana Brandão no podcast "Diário de um investigador"
Desenhar a cidade com lápis de cor: Ana Brandão e o planeamento dos Espaços Públicos Episódio 9 do podcast "Diário de um Investigador" já disponível aqui Spotify | Apple Podcast | Youtube Nesta conversa ficámos a saber que a Ana Brandão sempre pensou seguir ciências, mas no último verão antes de começar o ensino secundário, decidiu escolher artes. E muito por causa de uma caixa de lápis coloridos à qual achava muita piada. O combinado com a mãe foi ir para uma turma com matemática e física, o que lhe permitiu o contacto com as ciências ditas exatas, mas também com uma componente artística. Na universidade, a arquitetura era a opção que tinha estas duas valências. O percurso da Ana como investigadora começou com a tese de mestrado, onde trabalhou a articulação entre o tempo e a cidade. Hoje os temas que mais a inquietam são os que se relacionam com os territórios metropolitanos, os territórios do quotidiano ou da normalidade, como a Ana lhes chama. Como é que estes territórios, e os seus espaços públicos, são desenhados, planeados, geridos e vividos? Uma das coisas que mais motiva o trabalho da Ana é apoiar a construção de políticas públicas, até porque acredita que os investigadores têm o dever de produzir conhecimento que seja útil a outros para que estes possam fazer o seu papel de uma forma mais informada.
- Colóquio "Empresa e Direitos Humanos"
18 de Novembro 2024 18:00 - 19:30 Entrada livre Os Direitos Humanos na Empresa é um tema que está na ordem do dia, por toda a parte, dada a sua relevância para o futuro da sociedade global em que vivemos. O Mestrado em Direito das Empresas e do Trabalho procura organizar regularmente eventos com relevância para a sociedade. Ora os problemas do acesso à Justiça assumem a maior importância no âmbito dos Direitos Humanos e da Cidadania e esta última é uma das linhas de investigação do DINÂMIA'CET-Iscte. Com efeito, cabe perguntar de que serve atribuir direitos às pessoas se, depois, os mesmos nunca chegam a sair do papel, devido à falta de meios para os tornar efetivos. Por isso, o MDET, com a colaboração do DINÂMIA'CET-Iscte, aproveitou a vinda a Portugal de alguns Professores e Investigadores Brasileiros, da Unicuritiba e da Universidade Federal de Sergipe, conhecidos especialistas na matéria em apreço e membros da REDHT - Rede de Estudos de Direitos Humanos e Transnacionalidade, para com eles organizar um evento científico, no qual os referidos Colegas darão a conhecer o estado da questão no Brasil, no que se refere ao acesso à justiça laboral e empresarial. A sessão contará com o comentário da Prof.ª Helena Pereira de Melo, do Iscte, e será seguida de debate, que se espera participado e para o qual todos estão convidados.
- Living in Lisbon. An Architectural View on Housing Challenges premiada na XIII Bienal Iberoamericana de Arquitectura e Urbanismo
A publicação Living in Lisbon. An Architectural View on Housing Challenges , editada por Marta Sequeira e publicada pelo Museu de Arquitectura e Cultura Visual (MAC/CCB), DINÂMIA'CET-Iscte e Monade, foi recentemente distinguida na XIII Bienal Iberoamericana de Arquitectura e Urbanismo (XIII BIAU), na categoria de Publicações. A XIII BIAU, uma das mais prestigiadas iniciativas internacionais na área da arquitectura e urbanismo, é organizada pelo Ministério dos Transportes, Mobilidade e Agenda Urbana de Espanha em parceria com diversas instituições ibero-americanas. Este ano, sob o tema CLIMAS: Ações para o Bom Viver , a bienal destacou projectos que contribuem para a construção de sociedades mais inclusivas e sustentáveis. Living in Lisbon oferece uma análise profunda e perspicaz sobre os desafios habitacionais de Lisboa, reflectindo sobre as questões sociais, políticas e ambientais associadas ao tema. A obra, que resulta de uma colaboração entre investigadores e arquitectos, explora o contexto arquitectónico e urbano de Lisboa e propõe novas perspectivas sobre a habitação e a qualidade de vida na cidade. A lista completa de premiados da XIII BIAU pode ser consultada na página da Casa da Arquitectura e Urbanismo em Espanha e no site da Bienal Iberoamericana de Arquitectura e Urbanismo Mais informações sobre a publicação aqui
- Conferência "A cultura tectónica" e o regresso aos fundamentos disciplinares da arquitetura
No próximo dia 4 de dezembro vai ter lugar no Auditório 302 (edifício 4 - CVTT) seminário de Investigação em ATMC dedicado ao tema "A cultura tectónica e o regresso aos fundamentos disciplinares da arquitetura". A conferência, aberta ao público, terá início às 15:00, contará com a participarão os seguintes convidados: Mónica Pacheco – Que irá centrar a sua apresentação na bienal de Veneza de 2014, com curadoria de Rem Koolhaas, dedicada ao tema Fundamentals Paulo Martins Barata – Abordará a cultura tectónica e o conceito de meta-modernismo. Joana Couceiro – Irá falar dos processos de reconstrução de Baixa de Lisboa, em particular o projeto de Álvaro Siza, após o incêndio de 1989. Nuno Tavares Costa - Partirá do pensamento e da obra de Paulo Mendes da Rocha para abordar as inquietações do antropoceno Sobre o tema A atual crise climática vem interpelar o discurso arquitetónico para um regresso aos fundamentos da disciplina. Quando em 2014, Rem Koolhaas, lançou o tema ‘fundamentals’ como argumento central da bienal de Veneza, pretendia, justamente relançar este debate. Koolhaas propunha uma espécie de secção no tempo longo da história, procurando perceber a partir dessa raiz as bases estruturantes da cultura arquitetónica. Nos momentos de crise, verifica-se geralmente um retorno à base, procurando-se a partir daí o estabelecimento de uma revisão crítica que permita estruturar a continuidade disciplinar da arquitetura. De entre os teóricos que se dedicaram a definir esse alicerce, destaca-se Gottfried Semper (1803-1879) que, em The Four Elements of Architecture and Other Writings enquadrou a cultura tectónica, também num momento crítico pautado pelo cruzamento entre o apogeu tecnológico e a estilização revivalista da história. Com base na análise de uma cabana caribenha, exposta na Exposição Universal de Londres de 1851, Semper dissecou questões elementares da organização do espaço arquitetónico, como i) o lugar do fogo, ii) a plataforma, iii) a estrutura e iv) o recinto (ou recobrimento tectónico). Este aprofundamento teórico, evidenciando tanto os métodos de construção ancestrais usados pelos indígenas de Trinidad, como a sua relação com a insularidade territorial, não se cristalizava na dimensão antropológica do objeto de estudo. Em vez disso, procurava extrair uma matriz metodológica, que respondesse às demandas do próprio tempo. Em 1995, Kenneth Frampton retomou este tema nos seu Studies in Tectonic Culture: The Poetics of Construction in Nineteenth and Twentieth Century Architecture , repensando a tradição arquitectónica moderna, pela via da construção. Frampton recua até ao iluminismo, procurando na historiografia francesa, alemã e inglesa a raiz do sentido da construção, como suporte de uma alternativa a uma derivação pós-modernista e globalizante, em contraponto apresenta na linha Habermas o projeto moderno como algo inacabado no cruzamento entre estrutura, construção, espaço e forma abstrata. No espectro da teoria e história da arquitetura moderna em Portugal o enquadramento da cultura tectónica é seminal. A reconstrução do centro de Lisboa realizada no decurso do trágico evento de 1755, é um ponto de partida basilar para onde converge o saber pragmático associado ao desen-ho da cidade nova e dos seus edifícios. Depois do terramoto e do marmoto que a 1 de novembro, reduziram a cidade a escombros, Manuel da Maia e Eugénio dos Santos, coordenaram uma estratégia de intervenção, baseada na promoção de um modelo construtivo multi-escalar, ajustado à circunstância do sítio e à resistência da edificação à vulnerabilidade sísmica do território. A denominada gaiola pombalina assentou num modelo construtivo de estacar-ia de madeira (pitch pine), penetrando os lodos da margem estuarina do Tejo. A ligação desta estrutura de fundação ao corpo dos edifícios através de tra-vamentos cruzados (cruz de Santo André), permitiu consolidar as novas edificações como um todo, dotando-a da flexibilidade necessária para resistir, não só à tração e compressão, mas também aos momentos fletores que pudes-sem vir a existir em resultado de energias sísmicas. A pressão urbanística das últimas décadas, associada aos riscos dos eventos naturais extremos, provocados pelas alterações climáticas, vem trazer para cima da mesa os receios sobre a resiliência dos modelos urbanos e edifi-catórios que têm vindo a ser seguidos. O aumento dos caudais das linhas de água, implicou o lançamento de uma ambiciosa infraestrutura de grande porte, visando encaminhar a estrutura hidrográfica natural de Lisboa a desa-guar na zona de Santa Apolónia, preservando a água em bacias de retenção e resguardando as antigas ribeiras de Alcântara e de Valverde dos efeitos das cheias. Ao nível do edificado, novas medidas de proteção foram igualmente regulamentadas, passando a exigir-se estudos sobre a vulnerabilidade sísmica no controle prévio das obras de reabilitação e ampliação de edifícios. O trabalho que tem vindo a ser realizado em Lisboa, espelha as preocupações com a mitigação dos problemas causados pela atual situação. A conciliação dos modos de vida, com as transições provocados pelas alterações climáticas, implicam necessariamente um aprofundamento sobre o posicionamento disciplinar da arquitetura, que radique na sua dimensão construtiva e tectónica. A partir desse ponto será necessário perceber, não só a geografia e a especificidade social e biofísica de cada lugar, mas também os fundamentos do desenho e da cultura arquitetónica, pois é nesse saberacumulado que se encontra a chave para o domínio da construção. O desafio que se coloca é o de saber como se conseguirá enfrentar estascontingências no espectro de uma modernidade que, necessariamente, terá de continuar a ser reinventada como processo coletivo e simbiótico para com o planeta.









