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Seminário

SEMINÁRIO
AS NARRATIVAS DA CRISE E A CRISE DAS NARRATIVAS?

17 DE FEVEREIRO | 14H00
Aud. J.J. Laginha | ISCTE-IUL

Entrada Livre com inscrição aqui
Mais informações

14h00-15h00
Crise, troika, austeridade: uma leitura das narrativas da crise a partir da análise linguística do discurso
Isabel Margarida Duarte e Alexandra Guedes Pinto | FLUP e Centro de Linguística da Universidade do Porto

O FMI e a experiência do “resgate” português
Ana Costa, DINÂMIA’CET-IUL | ISCTE-IUL

A narrativa da austeridade na imprensa económica portuguesa 
João Ramos de Almeida | Obs sobre Crises e Alternativas
CES-UC

Moderador: José Castro Caldas, CES-UC

15h00-17h00
Painel de comentadores:

Ana Luísa Rodrigues | Sindicato dos Jornalistas
Cunha Vaz | Cunha Vaz & Associados
Helena Garrido | Jornal de Negócios
João Vieira Pereira | Expresso
João Rodrigues | CES-UC
Nicolau Santos | Expresso
Rita Espanha | CIES/ ISCTE-IUL
Rita Figueiras | FCH-UCP
Debate

Moderador: Paulo Martins | Sindicato dos Jornalistas

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Enquadramento
Este seminário trata de narrativas da crise – narrativas de uma das instituições da troika (o FMI) e narrativas de jornalistas económicos na imprensa (crónicas e editoriais).
Narrativas são relatos de acontecimentos apresentados numa sequência de palavras escritas ou ditas, ou de imagens. Esta é a definição de um dicionário que mostra que não há qualquer conotação negativa no conceito de narrativa. O relato pode assumir a sua natureza ficcional, ou pode reclamar para si um fundamento factual. Mas mesmo quando se designa como “narrativa” um relato que reclama fundamento factual, não se está necessariamente a denunciar esse relato como uma efabulação. Em qualquer caso nenhuma narrativa é neutra. Quem conta um conto não só acrescenta um ponto, como confere um sentido aos acontecimentos relatados.
Designamos os relatos analisados neste seminário por “narrativas da crise”, conscientes de que o termo “crise” é em si mesmo central na narrativa dos acontecimentos experimentados. Porque se disse da sequência de eventos relatados que eles configuravam “uma crise”? O que está implícito na interpretação desses acontecimentos como “uma crise”?
As narrativas da crise são importantes. Elas proporcionam a pessoas perplexas e confusas, pela sequência surpreendente de acontecimentos adversos, um enquadramento interpretativo que define o que “correu mal” e “o que deve ser feito”. Esse enquadramento condiciona o modo como todos (re)definimos no contexto da crise as nossas preferências, interesses e valores e a posição que enquanto cidadãos assumimos – de acordo, consentimento ou de rejeição – às soluções de política adotadas.
As narrativas da crise carreiam interpretações dos acontecimentos, mas não estão imunes ao desenrolar dos acontecimentos e à crítica. Por muito poderosas que sejam, há sempre momentos em que as narrativas podem entrar elas próprias em crise com um simples “O Rei vai nu”. É isso que discutimos quando além das narrativas da crise falamos de crise das narrativas.