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O Lugar do Discurso

Arquitectura vista por não arquitectos
25 de Fevereiro ::: 18h00
Biblioteca da Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Sul

Convidados:
Álvaro Domingues – Geógrafo
António Bolota – Artista
Manuel Villaverde Cabral – Sociólogo
Paulo Catrica – Fotógrafo

Organizadores:
Rute Figueiredo
Margarida Brito Alves

Arquitectura vista por não arquitectos
Tomando como ponto de partida o título de um inquérito promovido pelo Jornal dos Arquitec­tos em Outubro de 1986, esta sessão pretende recolocar o debate sobre o campo disciplinar da Arquitectura, questionando os seus limites e pri­vilegiando perspectivas que lhe são “exteriores”.
Na sequência das múltiplas reconfigurações que o discurso sobre a Arquitectura, enquanto disci­plina, assumiu ao longo do século XX, importa pois discutir o que actualmente se considera serem os seus contornos — tendo sobretudo em conta as dinâmicas de mútua influência, de inter-relação, senão mesmo de intersecção ou justaposição, que a Arquitectura tem vindo a es­tabelecer com a produção artística, a actividade científica ou o campo tecnológico, entre outros.
Com efeito, a Arquitectura parece hoje consti­tuir-se como uma prática de fronteiras flutuan­tes, que, ao mesmo tempo que procura afirmar­-se enquanto campo disciplinar autónomo, com especificidades próprias, tem vindo a revelar-se como um território heterodoxo e em constante alargamento.
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O projecto O Lugar do Discurso tem o intuito de estudar e reflectir sobre a cultura editorial do periódico de arquitectura em Portugal ao longo do século XX. Como o título sugere, este projecto fixa-se no discurso ao mesmo tempo que se centra no “lugar” através do qual esse discurso é produzido e disseminado — os periódicos especializados de arquitectura. Invoca, também, uma complexa grelha de configurações formada por “quem” produz, “que” conteúdos envolve, e “como” é que se constrói este “lugar”.

Este projecto assenta, assim, no argumento de que os periódicos especializados de arquitectura são mais do que uma mera sequência de objectos impressos isolados. No seu conjunto, eles dão corpo a várias linhas discursivas cruzadas, que formam, ao longo do tempo, uma cultura editorial sustentada por constelações de relações entre editores, críticos, arquitectos e outros agentes operantes no campo.

O ciclo Temas–Capa enquadra-se nesta perspectiva. Nele procura-se reflectir sobre a forma como o discurso da arquitectura tem sido moldado pela imprensa da especialidade, propondo momentos de reflexão que tomam como ponto de partida temas, debates e problemáticas que constituíram capa das revistas de arquitectura, passíveis de reconfigurar as conjunturas em que se enquadram e a identidade dos autores que as delinearam.