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Conferência

No dia 29 de Abril irá decorrer uma conferência proferida pelo Prof. Manuel Biscoito intitulada “50 anos de expedições: Estudos Científicos às Ilhas Selvagens”. A Conferência irá decorrer no Aud. ONE02 do ISCTE-IUL às 18h00.

Manuel Biscoito, Diretor do Departamento de Ciência da Câmara Municipal do Funchal e Conservador do Museu de História Natural do Funchal.

As Ilhas Selvagens despertaram, desde há muito tempo, um grande interesse científico, tendo sido visitadas pela primeira vez com este fim pelo explorador britânico Capitão James Cook em 1768. A partir daí sucederam-se visitas inúmeros naturalistas que aproveitavam a sua passagem por estas águas para lá efetuarem colheitas e observações. Estas visitas mantiveram um carácter esporádico e por vezes fortuito até 1963, altura em que o Museu de História Natural do Funchal organizou uma expedição multidisciplinar que se deslocou às Selvagens em Julho desse ano.

Entre os cientistas a bordo iam dois ornitólogos do Museu Nacional de História Natural de Paris que a partir dessa data iniciaram o estudo sistemático das aves marinhas que nidificam nas ilhas, visitando-as durante 30 anos consecutivos e produzindo imensos trabalhos científicos que deram a conhecer ao mundo a biologia e o comportamento das cagarras e outras espécies e divulgaram o património natural das ilhas. Na mesma expedição seguia o Senhor Alexandre Zino, que depois disso se tornou ornitólogo amador e foi o responsável pela criação da Reserva Natural das Selvagens em 1971, a primeira reserva em Portugal e logo a seguir à criação do Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Desde 1963 e até 2009, para além dos estudos sistemáticos realizados com as aves, ocorreram cerca de 10 expedições científicas, dirigidas ao estudo da fauna, flora e geologia, terrestres e marinhas das Ilhas.

Em 2010 a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental organizou a maior expedição científica jamais realizada em Portugal, envolvendo 4 navios e mais de 70 cientistas pertencentes a 35 instituições. Esta missão, que durou no total 25 dias, contou com a participação ativa do Museu de História Natural do Funchal, quer com os seus investigadores, quer colaborando na organização. Nas 10.000 amostras colhidas encontram-se 100 novas espécies para as Selvagens. Foram ainda efetuados 15.000 registos na base de dados da biodiversidade MarBis. Estas descobertas estão ainda s ser publicadas nas revistas científicas da especialidade.

Os trabalhos com as aves das Selvagens prosseguem, com o apoio da Marinha de Guerra Portuguesa e do Serviço do Parque Natural da Madeira. Duas equipas estão correntemente a trabalhar no terreno com as aves e a publicar dados inéditos. Uma das equipas é chefiada pelo Prof. Paulo Catry do Instituto Superior de Psicologia Aplicada e conta com elementos do Museu Nacional de História Natural. A outra é dirigida pelo Dr. Francis Zino e envolve investigadores do Museu de História Natural do Funchal.

As aves marinhas foram sem dúvida o fator determinante do grande interesse que as Selvagens despertaram nos meios científicos no século XX. A enorme concentração de aves (mais de 100.000) num território tão reduzido e a ocorrência de 6 espécies diferentes, uma delas, o Calcamar, ocorrendo  apenas nas Selvagens, fazem destas ilhas um local de estudo único.  A expedição do Museu do Funchal de 1963 constituiu o fator decisivo para o estudo científico sistemático da fauna e flora das Selvagens e ao mesmo tempo contribuiu para a sua transformação numa reserva natural, hoje galardoada com um Diploma Europeu, o que atesta a qualidade do trabalho levado a cabo pelo Serviço do Parque Natural da Madeira e pelos inúmeros cientistas que lá têm trabalhado. A soberania Portuguesa continua assim a ser afirmada naquelas paragens através do conhecimento.