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O Arquivo como Cidade

O Arquivo como Cidade
DUARTE BELO | CARLA DUARTE

20 Outubro | 11:00
Auditório B 204
Entrada Livre
ISCTE-IUL
Moderação: Paula André (ISCTE-IUL,DINÂMIA’CET-IUL)

ADERIR AO EVENTO

Organização: Paula André
Cluster Photography and Film Studies do Instituto de História de Arte/FCSH/NOVA
Projecto de investigação “Fotografia Impressa. Imagem e Propaganda em Portugal (1934-1974)”
[PTDC/CPC-HAT/4533/2014]

DUARTE BELO | CARLA DUARTE
O Arquivo como Cidade

Fotografias de um país inteiro realizadas no decurso de 30 anos. Centenas de milhares de quilómetros percorridos, dezenas de milhares de lugares registados, todas as cidades, todas as vilas, inúmeras aldeias e territórios pouco povoados, da orla marítima, das margens dos rios ao topo das montanhas. A representação sistemática e continuada de um espaço pela fotografia dá origem a um mapa que se afasta, progressivamente, do território que começou por representar. Uma realidade espectral parece emergir de 1.400.000 fotografias, num complexo arquivo de 28 Tb já não apenas de imagens, mas igualmente de uma teia de projetos, trabalhos, desenhos e textos que edificam uma arquitetura singular. Aí percorremos as ruas de uma cidade imaginária cujos contornos configuram um espaço que conquista a sua própria verdade.
Uma imagem fotográfica contém em si uma representação do Mundo, de um mundo visto, sentido, percebido pelos olhos de quem o viu, sentiu, percebeu, captou, registando para a posteridade uma representação datada no tempo de um lugar. Foi aquele o momento, aquele o enquadramento, aquele o olhar que se quis guardar. Fotografar é assim uma forma de cartografar o território, um mundo real e, ao mesmo tempo, emocional, o mundo que o fotógrafo percebeu e quis partilhar, camadas de informação escondida numa mesma imagem, qual mapa codificado em símbolos cartográficos, à espera que o olhar do observador interprete – uma cidade, uma população, uma vivência, um tempo. É, simultaneamente, uma cartografia emocional de um território desconhecido e muito pessoal, um arquivo da memória que o fotógrafo tem desse local.

Duarte Belo (Lisboa, 1968). Formação em arquitetura em 1991. Desde 1986 que trabalha no levantamento fotográfico sistemático da paisagem, formas de povoamento e arquiteturas em Portugal. Este trabalho continuado em mais de 700.000 quilómetros percorridos em estrada, deu origem a um arquivo fotográfico de mais de 1.400.000 fotografias. Publicou diversos livros sobre o tempo e a forma do território português, dos quais se podem destacar Portugal – O Sabor da Terra, ou Portugal Património. Expõe regularmente desde 1989, individual e coletivamente. É editor do blog Cidade Infinita. Participa regularmente em debates e conferências.

Carla Duarte, arquiteta, nasceu em Lisboa desde 1975, onde vive e trabalha. Entre 2005 e 2007, frequenta o curso de fotografia do Ar.Co e estreia-se em fotografia de cena e para a imprensa. Em 2007 recebeu um prémio individual na Maratona Fotográfica de Lisboa e, em Outubro de 2008, expõe a solo pela primeira vez em Lisboa, na Wonder’s. A sua preocupação com as questões urbanas levam-na, em 2013, a participar na “International Urban Summer School”, no Goldsmith’s College e, em 2014, ao abrigo de um programa europeu, a fazer um estágio de 3 semanas em Londres, com John Levett. Em 2016, coorganiza o evento “Lisbon Memory Place and Photography”, em Lisboa. Atualmente frequenta o Doutoramento em “Arquitetura dos Territórios Metropolitanos Contemporâneos”, no ISCTE-IUL.